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Às vezes eu sinto vontade de deglutir a vida. E digerir o mundo, e engolir o chuveiro do meu apartamento. De numa garfada degustar o amargo e o doce de toda existência, o gosto todo. De numa dentada sentir todo o meu sabor, a força da mandíbula indiferente à fragilidade da carne. De apertar meu cérebro com as palmas das mãos, de entrar nos objetos e invadir a vida dos outros, de ser mesa e ser pássaro. Só que meu desassossego é refém de tudo e tudo me extorque. Fui sequestrado pela realidade.

-2013

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